Visão sistêmica da empresa: qual a importância e como conseguir

Hoje em dia, especialmente diante da transformação digital e da velocidade com que as mudanças acontecem, é fundamental desenvolver uma visão sistêmica da empresa.

Em um passado já relativamente distante, as organizações adotavam um pensamento mecanicista, caracterizado por situações estáticas e sistemas fechados. Atualmente, no entanto, predominam visões orgânicas, que consideram as empresas como sistemas abertos que não só impactam o ambiente externo como sofrem influência dele.

Mais que meras diferenças de modelos de gestão, tal ótica sobre a administração é responsável pelas vantagens competitivas e pelos resultados do negócio. Por essas e outras, os gestores devem estar sempre atentos à maneira como a empresa se organiza e toma decisões para conseguir responder adequadamente às necessidades do mercado.

Que tal entender de uma vez por todas o que caracteriza um modelo de gestão abrangente ou holístico e como implantá-lo para melhorar a performance do negócio? Acompanhe nosso post de hoje e tire suas dúvidas!

No que realmente consiste a visão sistêmica?

No início da Administração como ciência, no começo do século XX, predominou a chamada abordagem clássica da gestão, cujos expoentes foram Frederick Taylor e Henri Fayol. Enquanto o primeiro enfatizava a importância das tarefas na organização, o segundo priorizava a estrutura do negócio. Em ambos os casos, tinha-se uma visão da empresa como sistema fechado, sob o controle dos administradores.

Com o passar do tempo, percebeu-se que essa ótica era limitada. Afinal, existem vários fatores que impactam a organização e que nem por isso são totalmente controlados por ela.

Entre as décadas de 1950 e 1970, ganhou destaque a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), elaborada pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy e, mais tarde, aplicada a várias ciências — incluindo a Administração. Sob esse enfoque, as organizações passaram a ser vistas como sistemas vivos, do mesmo modo que aqueles existentes na natureza. O sistema era entendido, assim, como um conjunto de elementos relacionados atuando em cooperação para atingir determinados objetivos.

Nesse sentido, a visão sistêmica da empresa parte da compreensão de que há entradas (inputs) e saídas (outputs) na organização. Entre esses momentos existe o processamento realizado no interior do negócio, cujo objetivo é agregar valor à mercadoria ou ao serviço comercializado. A empresa funciona, assim, como um sistema formado por várias partes, mas que só exerce a plenitude de seu potencial por meio do trabalho do todo.

Se um fornecedor atrasa a entrega de matéria-prima ou um departamento da própria organização vive em conflito, por exemplo, o resultado final do trabalho geralmente é comprometido.

Como não está sozinho no mercado e na sociedade, o negócio ainda influencia o contexto externo e, ao mesmo tempo, sofre interferência dele. As empresas são, portanto, sistemas abertos que possuem diversos subsistemas internos, os quais vivem em constante interação a fim de alcançar as metas estabelecidas.

Como gerenciar o negócio como um sistema?

Realizar a gestão do negócio com base em uma visão sistêmica requer certos aspectos estruturais e atitudes-chave por parte do administrador. Confira a seguir algumas dicas para integrar a gestão do seu empreendimento!

Garanta uma estrutura flexível

Caracterizada por forte hierarquia, uma estrutura muito rígida está geralmente associada a uma organização mecanicista. Nesse caso, a empresa tem dificuldade para reagir aos estímulos do mercado, já que a gestão é feita como se o negócio fosse um sistema fechado. Pelo contrário, uma estrutura flexível, reformulada conforme as necessidades da empresa, é bastante útil em contextos instáveis — tão frequentes nos dias atuais.

Cuide dos fluxos de material e de informação

Na visão sistêmica da empresa, a organização está em constante interação com o meio que a envolve. Como o desempenho do negócio depende desse fluxo, o ideal é que o gestor mapeie as dinâmicas de material e de informação para identificar não só condições para o sucesso da empresa como eventuais pontos de gargalo.

Nesse aspecto, é de grande importância acompanhar a chamada retroalimentação, que nada mais é do que o feedback dos públicos de interesse — principalmente dos clientes. Ao receber essa resposta, a empresa é capaz de aprimorar a própria atuação e, assim, alcançar a excelência.

Integre os processos organizacionais

Na empresa vista como um sistema, as partes só ganham sentido quando estão em interação para formar o todo. É papel do gestor, assim, proporcionar essa integração dos processos organizacionais para que o fluxo de trabalho ocorra sem problemas — como atrasos entre uma etapa e outra ou falta de matéria-prima.

Só uma empresa integrada, por meio da adoção de um sistema de gestão ERP, por exemplo, poderá responder com rapidez às necessidades do mercado. Desse modo, a atuação da organização ocorre com fluidez, sem exagero ou escassez, uma vez que o gestor pode planejar estrategicamente o uso dos recursos empresariais.

Use a tecnologia para mensuração dos dados

Na prática, nem sempre os processos organizacionais funcionam da maneira adequada, conforme as especificações previamente definidas. Nesses casos, o êxito de todo o sistema empresarial pode ficar comprometido. Para evitar que isso aconteça, o gestor deve mensurar alguns indicadores-chave para acompanhar o desempenho das atividades e, conforme o caso, efetuar correções nos processos que apresentam falhas.

Desenvolva a capacidade de adaptação

Na Teoria Geral dos Sistemas, 2 conceitos são bastante importantes: a entropia e a homeostasia. O primeiro diz respeito à tendência de desgaste ou de desordem do sistema. Já o segundo se refere à busca por equilíbrio.

Além dos próprios pontos fortes e fracos, a organização está sujeita a condições do ambiente externo, que, por sua vez, apresenta oportunidades e ameaças. Se a gestão do negócio pouco age para barrar a entropia, o empreendimento tende a perder qualidade e eficiência. Nesse cenário, até a falência surge como possibilidade.

Pelo contrário, quando há constante busca por inovação e melhoria dos processos já existentes, a organização age para chegar à chamada entropia negativa, que consiste na atualização ou renovação do sistema. Assim, o negócio pode encontrar uma condição de equilíbrio favorável a fim de competir com mais força no mercado em que atua.

Como você pode notar, a visão sistêmica da empresa se adapta ao contexto atual, em que os fatores externos exercem grande influência sobre a atuação da organização.

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