Entenda a diferença entre lucratividade e rentabilidade

Gestores e proprietários de empresas que precisam pensar no planejamento estratégico do negócio e tomar decisões que viabilizem o crescimento da organização devem ter a distinção entre lucratividade e rentabilidade na ponta da língua.

Embora ambos os conceitos estejam relacionados à ideia de ganho financeiro, cada um possui uma perspectiva diferente, devendo ser usado para uma finalidade específica. Nesse sentido, confundir as definições pode fazer com que o empresário use estratégias inadequadas, vindo até a perder dinheiro!

Quer realizar uma gestão financeira e contábil mais eficiente no seu negócio? Então chegou ao post certo. Continue acompanhando para aprender a diferenciar as noções de lucratividade e rentabilidade!

Conceito de lucratividade

É mais que natural que a gestão queira saber como anda o desempenho financeiro da empresa para identificar se os esforços têm dado resultados positivos ou se é preciso fazer alguma correção. Nesse sentido, conhecer a lucratividade do negócio é importante para mensurar a própria eficiência da organização. Com esse dado em mãos, o gestor tem uma espécie de radiografia da situação financeira do empreendimento.

Podemos definir lucratividade como a medida percentual do lucro líquido em relação à receita bruta total do negócio em determinado período. Dessa forma, o empresário pode avaliar quanto ganhou para cada X reais recebidos pelo negócio. A fórmula da lucratividade é simples: basta dividir o lucro líquido pela receita bruta total e multiplicar esse resultado por 100!

Se uma companhia obteve 300 mil reais de lucro líquido em um mês para uma receita bruta total de 3 milhões e 200 mil reais, no fim das contas, alcançou uma lucratividade de aproximadamente 9,38%. Na prática, o proprietário desse negócio ganhou livremente cerca de 9,38 reais para cada 100 reais recebidos pela empresa.

É bem verdade que, para ser usada como subsídio para a tomada de decisões, a lucratividade deve de fato refletir a situação financeira da organização. Nesse caso, como a medida depende do lucro líquido, é indispensável que sejam descontadas todas as obrigações da receita bruta total — como custos de produção, tributos, despesas para manutenção do empreendimento e assim por diante.

Para tanto, é essencial que a companhia disponha de demonstrações contábeis que retratem com fidelidade a movimentação financeira e patrimonial do negócio. Caso contrário, se algo fica de fora da conta, o gestor fará escolhas com base em informações deturpadas. Com isso, a organização pode ficar vulnerável no mercado.

Definição de rentabilidade

Quando uma empresa é criada, geralmente o proprietário ou os sócios aplicam dinheiro do próprio bolso para formar o capital social. Lembrando que esse capital é necessário para que o negócio entre em atividade e eventualmente caminhe de forma autônoma.

No universo das organizações privadas, os empreendedores enxergam as empresas como investimentos, buscando retorno financeiro sobre o capital inicialmente aplicado. Nesse ponto, podemos entender o conceito de rentabilidade, que nada mais é que a relação do lucro líquido com a receita bruta total. Aqui, basta dividir o lucro líquido pelo investimento no negócio e multiplicar o resultado por 100.

Vamos supor que um empresário aplicou 250 mil reais do próprio bolso para abrir seu estabelecimento. Devido à alta demanda pelo produto comercializado, ele obteve um lucro líquido de 20 mil reais já no primeiro mês de atividade. Nesse caso, a rentabilidade mensal foi de 8%!

Vale ressaltar que o cálculo do Retorno sobre o Investimento (ROI, na sigla em inglês) também é muito útil, servindo para descobrir o payback do negócio — tempo necessário para ter o capital inicialmente aplicado de volta. Usando os dados do exemplo anterior, se a média de lucro líquido ficasse em 20 mil, isso significaria que o tempo de payback seria de 12 meses e meio. Em pouco mais de um ano, portanto, o negócio se pagaria!

Diferença entre lucratividade e rentabilidade

Como você pôde notar até aqui, embora lucratividade e rentabilidade se relacionem com o lucro líquido, possuem perspectivas diferentes. A primeira está ligada mais ao curto prazo, enquanto a segunda, mais ao longo prazo. Se a lucratividade está aquém das expectativas do empreendedor, ele pode agir para aumentar as receitas ou diminuir os gastos fixos e variáveis do negócio. É possível, por exemplo, reforçar a equipe de vendas ou tentar elevar a produtividade.

Contudo, para que qualquer ação gere o efeito desejado, deve ser pautada em números reais, obtidos preferencialmente por meio de um sistema automatizado, que registre toda a movimentação de recursos da organização. Assim, o gestor pode acompanhar lucratividade e rentabilidade de uma só vez, a fim de controlar as atividades e melhorar os resultados.

Especificamente quanto à rentabilidade, o empresário ainda pode mensurar o custo de oportunidade do próprio negócio, aquilo de que precisou abrir mão para tirar a empresa do papel — como uma aplicação financeira. Nesse sentido, a rentabilidade do empreendimento deve ser superior a outras formas de investimento para justificar a imobilização de capital e os riscos envolvidos na operação.

Além disso, quando a expectativa de rentabilidade é analisada na etapa inicial, ainda elaborando o plano de negócio que antecede a abertura da empresa, é possível até mesmo desistir da ideia, por exemplo, caso o tempo de retorno sobre o investimento seja grande demais, a ponto de não compensar a alocação de capital.

Como você pode perceber, lucratividade e rentabilidade são importantes conceitos de gestão financeira, destinados a finalidades distintas. Com esses números na palma da mão, o empresário pode planejar o negócio com mais previsibilidade e, assim, aumentar as chances de que as ações tomadas tragam os resultados esperados.

Vale ressaltar que as diferenças entre lucratividade e rentabilidade também devem ser analisadas de forma comparativa em relação à concorrência, ao segmento de mercado em questão e à economia como um todo.

Pense bem: negócios sazonais têm ganhos maiores em certos períodos, o que deve compensar o baixo desempenho em outros. Da mesma forma, indústrias têm lucratividade e retorno sobre o investimento diferentes de empresas de serviço. Afinal, fábricas geralmente requerem um grande capital para prover a infraestrutura do empreendimento. Fique de olho!

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