Alterdata Software investe em startups de funcionários

A Alterdata Software está fazendo a mentoria de três startups, que foram criadas por seus funcionários: o NEIBLO, o FLIT e o LOYOL. As iniciativas foram lançadas no mercado em agosto. As ideias surgiram no primeiro Hackathon que ocorreu na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. O gestor da Alterdata, André Moura, com formação na universidade Berklee e trajetória empreendedora, é o supervisor dos projetos, além de acompanhar as equipes e realizar a mentoria de empreendedorismo e da metodologia lean startup. “Os funcionários têm um dia por semana para se dedicarem ao negócio e a Alterdata oferece toda a infraestrutura nas áreas de Arte e Design, Vendas, Administração”, explica Moura.

Atualmente na fase piloto, o NEIBLO é um produto que oferece solução para entregas como cartas, encomendas ou compras para quem tem dificuldade em receber produtos em casa, seja por residir em zona rural, local de conflito ou por não se encontrar na residência em hora útil. A solução foi criar o “endereço amigo”, um ponto comercial onde as pessoas podem retirar suas encomendas. Os pontos de retirada também se beneficiam, em vista do decorrente aumento de fluxo de pessoas na loja. O projeto, desenvolvido por quatro funcionários, tirou o primeiro lugar no Hackathon, recebeu seis mil reais em prêmio e é acompanhado pela mentoria da Alterdata.

Eric Mendes Dantas, 29 anos, (há 6 anos na Alterdata), Leonardo Sant’Anna, 26 anos programador (há 4 anos), Cleive Paqui supervisor,  41 anos, (há mais de 4 anos) e Rafael Rodrigues, 40 anos, programador, (há 23 anos) avaliam que a experiência de formular e pensar um negócio é a mais animadora. A ideia do NEIBLO nasceu porque Cleive morou anos no Rio de Janeiro, mas ao voltar para o interior passou a morar em um lugar onde os Correios não fazem entregas. Ele testou caixa postal e não funcionou bem, porque não havia rastreio do produto, e percebeu que os amigos também passavam por isso. Do problema vivido pelos quatro, e por tantos, surgiu a oportunidade.

Em pesquisa posterior, descobriram que o país perde cerca de R$ 3,2 bilhões em oportunidades de consumo por desprezar esta dificuldade na entrega. Os fundadores do NEIBLO se entusiasmam ao pensar na questão social: “É também motivo de inclusão, pois as pessoas deixam de receber correspondências importantes, além de não se verem livres para escolherem onde e como comprar, sem obstáculos causados pela localização de sua moradia, como acontece em comunidades de risco e rurais”, diz Rafael Rodrigues.

Para todos, a participação no processo foi muito proveitosa para criar ideias que solucionam problemas do cotidiano. “A experiência do Hackathon estimula muito a criatividade.  A gente passa pela criação de todas as etapas da empresa. Ganhar também foi algo muito importante, porque validou o que a gente já vinha pensando. Foi interessante reconhecer que mais pessoas vivem o mesmo problema e que ele pode ter solução”, diz Eric Dantas. “Como fazer a ideia ser lucrativa é o principal desafio. Os profissionais mais técnicos, da área de programação, não têm muita ideia de como fazer o negócio acontecer. Estamos conseguindo enxergar os dois lados da moeda”, conta. O NEIBLO já está sendo testado por outros funcionários da própria Alterdata antes da liberação do produto, em agosto.

Para André Moura, o ponto mais positivo da experiência está no fato das lideranças da Alterdata valorizarem e estimularem as ideias dos colaboradores, porque eles  “recebem  muitas propostas de investimentos em startups tecnológicas, mas preferiram apostar internamente”, diz.

Gestão de jornada

O  FLIT  é outra iniciativa que foi absorvida meses depois do Hackathon, mesmo sem ter vencido a maratona. A startup nasceu lançando um sistema de gestão de equipe externa para equipes de vendedores, técnicos de suporte ou outros funcionários para o registro da jornada externa, ajudando a gerenciar e otimizar os roteiros de deslocamento dos colaboradores.  Um dos presidentes da Alterdata, José Ronaldo, quis conhecer melhor o projeto, que passou pela mentoria e, em agosto, começa e ser implementado em toda a rede da Alterdata. Walter Flores, 29 anos, inspetor de qualidade (7 anos de empresa), Eredilson Robson Leal, 31 anos, (8 anos) e Hildebrando  Machado, 29 anos (7 anos) desenvolveram a ideia no Hackathon. O FLIT marca o ponto do funcionário externo pelo aplicativo móvel e ajuda  no gerenciamento e acesso à informação. Traz ainda segurança para o funcionário, pois mostra a geolocalização.

Para Flores, participar do processo lhe ofereceu outra visão de negócio, ainda que seja engenheiro de produção: “Eu já tinha noção, mas a mentoria está sendo fantástica. Consigo ter uma amplitude maior do negócio. André Moura está nos dando um norte. Alavancar um negócio em si é muito complexo”, diz  “A gestão de uma startups é muito diferente porque é uma coisa nova, que está mudando, não há padrão a ser seguido”, complementa. O colaborador ainda percebe um novo estímulo para colegas: “A iniciativa ampliou a  visão da empresa para outros colaboradores”, afirma. O Flit aplicativo está em fase de programação e em agosto será implementado na filial de Feira de Santana (BA), para na sequência, ser implementado em toda a rede Alterdata.

Fidelidade para os pequenos lojistas

A outra experiência mais recente não é fruto das 24 horas de programação intensa proposta pela empresa.  Ramon Coan, 27 anos, engenheiro civil, viu que a Alterdata havia promovido um Hackathon. Ele tinha um amigo programador que trabalha na empresa. Eduardo Chiletto, 40 anos, está na Alterdata há mais de 16 anos. Juntos, eles criaram o LOYOL, um sistema de fidelidade com foco no varejo para ajudar pequenos lojistas. Coan então convenceu o amigo a falar com o presidente José Ronaldo, que pediu uma apresentação. A presidência gostou e eles entraram no processo de mentoria. Ambos viraram sócios dos presidentes na nova empreitada. “A Alterdata sempre foi muito jovem. Nunca deixou de evoluir. Não chegou a ser uma surpresa a reação dos sócios que gostaram tanto da ideia a ponto de apostarem nela, mas eles apoiaram além do que eu esperava”, destaca Chiletto.

O gestor André Moura explica que a mentoria segue a metodologia do MIT, com 24 passos distribuídos em seis semanas.  “A conclusão é a entrega de um plano de negócios e a partida para a execução. A partir de agosto todas as startups vão estar acelerando e este processo de monitoramento dura mais três meses”, afirma Moura.

Related Posts

Como otimizar a força de vendas da sua empresa?...

#FeitadeGente – Wallace de Oliveira

Como preparar sua imobiliária para as mudanças...

Comments

  • Drielle Silveira Amorim
    17/10/2018 at 09:12

    Olá tudo bem ? Acreditamos ser possível mudar o futuro, fazendo hoje, buscando conhecimento. Infelizmente nem todas as pessoas tem acessobilidade a essa busca “infinita”, e até mesmo no seu crescimento pessoal e profissional ficam limitados. Hoje em dia na cidade de Teresópolis não temos nenhuma referência em escola de tecnologia, e muito menos suporte e acesso a internet em muitos lugares afastados, rurais. Seria um progresso muito grande na cidade, com uma escola assim. Acredito que é possível alcançar esse objetivo, vocês podem fazer isso acontecer. Não só ter um projeto de tecnologia na área pública de educação, também interligado uma escola da tecnologia para todas idades, sendo referência regional, ensinando lógica de programação, linguagens, design gráfico e outros . Até pela vivência e profissionais capacitados, sendo aplicado o conhecimento e aprendizado na prática. Teríamos muito mais pessoas capacitadas, não só a preencherem as vagas de sua empresa como outras mentes criativas.
    Fica um incentivo e eu gostaria muito de participar desse projeto tecnologia na educação.
    Att.

Deixe uma resposta