Segurança condominial: como evitar as principais falhas

Segundo o Atlas da Violência de 2017, estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2015, o Brasil registrou cerca de 59 mil homicídios. São quase 29 mortes a cada 100 mil habitantes e cerca de 11 mil a mais que em 2005!

Unida ao aumento vertiginoso dos casos de violência no país, a sensação generalizada de impunidade e de ineficácia das políticas públicas voltadas para o combate à criminalidade fez com que os brasileiros arregaçassem as mangas, saindo em busca da segurança da sua família por conta própria.

Como consequência, um dos principais serviços buscados pelos consumidores na hora de alugar ou comprar um imóvel é a segurança condominial. Por essas e outras, o tema vem ganhando cada vez mais notoriedade e importância dentro da gestão de condomínios, seja para quem é síndico ou para quem trabalha com imóveisde uma forma geral.

Você também está interessado no assunto? Então confira a seguir 9 das principais falhas que não pode cometer na gestão da segurança do seu condomínio!

Descumprir as regras de segurança condominial

Cumprir as regras de segurança do condomínio pode até parecer, à primeira vista, uma tarefa simples. Entretanto, na prática, não é bem assim. Muitas vezes, por mais que a administração do condomínioimplemente uma série de ações no sentido de treinar os funcionários e educar os moradores, basta passar algum tempo a flexibilização tomar conta, com as exceções praticamente se tornando regra. O problema é que isso pode representar um risco e tanto para toda a estrutura de segurança condominial planejada.

Tenha sempre em mente que mudar os costumes da operação de um condomínio demanda bastante trabalho. Não basta fazer reuniões, imprimir comunicados e fixar regras no mural. É preciso ir além, fiscalizando a aplicação dessas regras no dia a dia para corrigir oportunamente os desvios. Lembre-se de que o processo de criação de qualquer tipo de hábito se dá por meio do exercício diário, o que exige disciplina e atenção.

Caso seja viável, também é aconselhável criar um canal de comunicação por meio do qual os moradores possam denunciar anonimamente o descumprimento de regras de segurança. Dessa forma, é possível ter um controle maior sobre os tipos de infração cometida, além de identificar os respectivos infratores. Você pode usar uma urna trancada com cadeado, por exemplo, ou um formulário online anônimo para reclamações.

Essa é uma ótima forma de pulverizar o dever de fiscalização entre todos, automaticamente o tornando mais eficiente. Só é preciso ter cuidado para que o espaço dado não se torne palanque para a manifestação de desavenças ou disputas de ordem pessoal. Para tanto, o administrador da ferramenta deve ter o cuidado em diferenciar o que é uma denúncia legítima, em prol da segurança do condomínio, e o que é simples briga ou implicância entre condôminos.

Ainda nesse sentido, para garantir que os condôminos cumpram as regras estabelecidas, conheçam e concordem com elas, é necessário que todos os protocolos de segurança sejam discutidos nas assembleias gerais, além de publicados e revisados periodicamente. Saiba: uma gestão participativa e devidamente aprovada por todos gera um sentimento de conformidade que facilita a concordância de todos em relação às normas definidas.

Contratar serviços terceirizados de má qualidade

A terceirização do trabalho se tornou assunto comum em 2017. Tudo isso graças ao conjunto de medidas implantado pelo Governo Federal com o objetivo de dar mais segurança jurídica e aprimorar as relações de trabalho, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU). Muito dessa polêmica se deu pela possibilidade de precarização do trabalho para a qual a nova lei poderia abrir precedentes.

No caso de uma gestão condominial, é necessário compreender que a redução de custos administrativos, como na contratação de serviços, é crucial para a manutenção da saúde financeira do condomínio, além de ser um valor muito importante a ser considerado para o interesses dos moradores.

Contudo, isso não quer dizer que a redução de custos deva acontecer de qualquer forma, contratando empresas sem qualidade, que não cumprem as leis trabalhistas corretamente ou remuneram mal seus funcionários. Isso acontece, muitas vezes, quando terceirizamos alguns serviços sem procurar por referências.

A dica aqui é pesquisar bastante sobre a possível fornecedora a ser contratada. Sabia que muitas empresas nem sequer verificam os antecedentes criminais de seus funcionários? Verifique a documentação da empresa, seus registros municipais e estaduais, além de procurar por informações nos serviços de proteção ao consumidor, como o Procon do seu Estado e sites como o Reclame Aqui.

Fique atento também na relação entre empresa e funcionários. Alguns negócios remuneram seus colaboradores tão mal que geram uma rotatividade muito alta de profissionais. De que forma isso o afeta? Simples: isso quer dizer que a portaria do condomínio ficará constantemente nas mãos de substitutos que não conhecem as particularidades do edifício, abrindo brechas para falhas.

Por esses e outros motivos, é recomendável que você pesquise no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da sua região sobre possíveis ações trabalhistas que as empresas contratadas para cuidar da segurança do seu condomínio possam responder na justiça.

Economizar em estrutura e tecnologia de segurança

Mesmo que o condomínio tenha boas regras de segurança e elas sejam seguidas à risca pelos funcionários e moradores, a segurança ainda não está garantida até que se faça um investimento mínimo em estrutura e tecnologia.

Uma boa estrutura deve contar com portões duplos intertravados feitos de material reflexivo, de modo que quem está dentro possa ver o que se passa do lado de fora, mas quem está do lado de fora não enxergue o lado de dentro. Além disso, o ideal é que tenha uma guarita blindada, passa-volumes, cercas e muros com altura mínima de 3,5 metros.

Em relação ao aspecto tecnológico, o condomínio pode apostar em uma boa iluminação com sensor de proximidade, câmeras de segurança, circuito fechado de TV, uma catraca com identificação biométrica e um bom sistema de computador para registrar informações sobre a movimentação de moradores, visitantes e automóveis.

Deixar de fornecer o treinamento adequado

Na prática, de nada adianta investir uma nota preta em tecnologia se os funcionários não sabem operar os equipamentos de segurança ou não têm treinamento na área, não concorda?

Segundo o oficial da reserva do Exército Brasileiro Joneval Barbosa de Almeida, “o melhor resultado em segurança é alcançado ao equalizar a implantação de sistemas eletrônicos com meios humanos e organizacionais”. Ainda segundo o militar, “a falta de treinamento dos colaboradores pode ocasionar descuidos simples que podem representar riscos severos à segurança do patrimônio e das pessoas que frequentam ou moram no condomínio”.

Além dos funcionários envolvidos diretamente com a segurança, como vigias e porteiros, auxiliares de serviços gerais e zeladores também devem passar por treinamentos de segurança e ser informados sobre as regras de segurança do condomínio.

A falta de treinamento pode fazer com que os colaboradores se descuidem das chaves das áreas comuns do prédio ou que deixem o portão de acesso aberto, por exemplo. Já pensou se estranhos aproveitam essas situações para acessar as dependências do condomínio? Melhor evitar os riscos, promovendo treinamentos periódicos — também para a reciclagem de funcionários.

Negligenciar a identificação dos visitantes

Principalmente em condomínios grandes, para ter um controle maior sobre as operações e regras de segurança, é necessário que todas as pessoas que passem pelo portão sejam devidamente identificadas, inclusive colhendo informações adicionais, como para qual prédio e apartamento o visitante vai. E isso vale também para prestadores de serviço, ok?

Além da própria tecnologia usada para identificar o visitante, é recomendável que não exista acesso direto ao porteiro. E é extremamente importante que o mesmo processo seja aplicável a toda e qualquer pessoa que se apresente na condição de visitante. Qualquer exceção a essa regra pode representar um risco desnecessário para o condomínio.

Além disso, a não conformidade com os processos estabelecidos pode gerar problemas para a própria administração condominial. Imagine, por exemplo, se o funcionário responsável pela função exige o documento de identidade de algumas pessoas e de outras não. Pois essa pode ser considerada uma prática de discriminação, levando inclusive a implicações jurídicas.

Permitir muitas distrações no ambiente de trabalho

Os profissionais responsáveis pela segurança e vigilância do edifício devem estar alertas durante todo o período do seu expediente. Televisão, smartphones e tablets podem reduzir demais a percepção de algum perigo por parte do profissional, facilitando a ocorrência de incidentes desagradáveis.

Outro grande inimigo da segurança condominial é o sono, que pode ser bastante comum principalmente no caso de profissionais que atuam no turno da noite. Afinal, a natural falta de movimento na portaria somada a algum tipo de privação de sono durante o dia anterior já pode gerar um quadro de perigo.

Para evitar esse tipo de situação, é sempre bom instruir os zeladores a darem uma caminhada pelo próprio ambiente de trabalho no momento em que o sono bater. Em casos mais críticos, é bom avisar a algum outro profissional do condomínio ou mesmo ao síndico ou administrador.

Confirme com a empresa contratada para a realização desses serviços se os turnos dos funcionários são organizados em escalas, de tal forma a garantir o tempo mínimo exigido em lei para esse tipo de profissional. Podemos citar como exemplo as leis que regulam a escala 12 por 36. Nesse caso, o funcionário trabalha em plantão de 12 horas, com descanso de 1 a 2 horas nesse tempo, dando um intervalo de 36 horas até a próxima jornada.

Faça uma pesquisa sobre a regulamentação das leis trabalhistas no seu estado e confira se a empresa prestadora de serviço segue corretamente essas determinações. Dessa maneira, você assegura que a relação com os profissionais está dentro dos conformes, consequentemente garantindo a segurança do condomínio.

Esquecer de pensar em procedimentos emergenciais

Em qualquer local, seja uma estrada, uma escola ou uma casa noturna, é preciso pensar na adoção de procedimentos, processos e treinamentos para garantir a solução de problemas em caso emergenciais. E o cenário não poderia ser diferente no caso da segurança condominial e do bem-estar dos moradores.

É claro que devemos fazer de tudo (e mais um pouco) para prevenir e evitar que situações desse tipo surjam. No entanto, por mais que a gestão do condomínio invista em segurança, o risco nunca chegará a zero. Não custa nada, portanto, ao menos pensar nas possibilidades negativas para elaborar estratégias resolutivas.

Saídas de emergência estrategicamente colocadas, treinamentos periódicos para moradores e funcionários para ensinar noções de primeiros socorros, montagem e disponibilização de kits de saúde, extintores de incêndio à vista, rotas de fuga previamente estabelecidas e diversas outras medidas podem ser muito úteis para garantir a segurança de todos em casos de necessidade.

A definição de procedimentos é muito importante em momentos de emergência para que o sentimento de pânico e o afastamento momentâneo da nossa racionalidade não levem a decisões equivocadas. Isso pode ser evitado ao condicionar as ações a um conjunto de instruções simples, já conhecidas.

Existem várias formas de fugir de emergências. Segundo matéria da BBC Brasil, a maior causa de morte em casos de incêndio, por exemplo, não é por queimadura, mas sim por inalação de fumaça. Dicas como descer de escada e não usar elevador, usar um pano molhado no rosto para não aspirar a fumaça tóxica e andar próximo ao chão são unânimes entre especialistas da área.

Desconhecer atividades suspeitas nos arredores

Zeladores, vigias e demais funcionários do condomínio devem estar atentos não apenas ao que se passa para dentro dos portões do prédio, mas também ao que acontece nas imediações. Sabia que criminosos têm o hábito de circular várias vezes pela região coletando informações sobre a segurança da vizinhança antes de decidirem agir?

Pessoas que perguntam por moradores que não existem, como se fosse engano, ou que passam toda hora na frente do prédio, olhando para dentro, por exemplo, podem ser consideradas suspeitas. Havendo esse tipo de ocorrência, os profissionais devem repassar suas impressões para os responsáveis pela segurança.

Vale ressaltar que, para reforçar a segurança condominial, a administração pode investir em câmeras e espelhos, de modo a aumentar a visibilidade da área externa a partir do interior do edifício.

Ignorar áreas de risco no entorno do condomínio

De certa forma, esse é um complemento do tópico anterior, mas dizendo respeito, agora, às providências que podem ser tomadas pelo condomínio além da contratação de pessoal, da compra de equipamento, do investimento em tecnologia, segurança e treinamento. Que tal planejar ações de cunho social e preventivas envolvendo a cooperação e atuação com órgãos públicos e ONGs ou outros tipos de liderança de comunidades carentes?

O prédio é vizinho de comunidades com altos índices de violência ou áreas de usuários de drogas, por exemplo? Pois as iniciativas que acabamos de citar ajudam a melhorar a relação do condomínio com o entorno. Além disso, uma boa relação com o poder público também pode ajudar na cobrança de intervenções públicas que podem dar uma mãozinha para a segurança condominial, como redutores de velocidade próximos.

Por fim, se gostou das nossas dicas, o que acha de aproveitar para assinar a nossa newsletter e receber periodicamente mais informações sobre gestão, segurança e administração condominial?

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Comments

  • Aírton Correia da Silva
    19/07/2017 at 17:53

    Muito importantes essas observações. Inclusive no prédio que moro já aconteceu o ladrão entrar pela lateral, onde é fácil o acesso pelo fato da altura ser mais ou menos de dois metros, diferente da altura total do prédio, onde teve acesso a um apartamento do 1º. andar e levou alguns pertences da moradora. E vale salientar que esse prédio fica na Rua do Riachuelo, nº. 521, nos fundos do Hospital do Exército, entre a Gervásio Pires e a Rua do Hospício, mas a iluminação da rua é precária porque tem muitas árvores e poucas lâmpadas.
    Sou cliente da Alterdata.

    • Rodrigo Mendes
      25/07/2017 at 11:36

      Caramba, Aírton! Que situação, hein? Por isso é muito importante estar em dia com a segurança e contar sempre com dicas como essas. Compartilhe este post com os outros moradores também. Fique por dentro de nossas atualizações semanais. Abraço!

  • Alaerte Vagno Garcia Giori
    19/07/2017 at 18:57

    Muito bom. Muitas vezes são até medidas simples que por descuido e até mesmo naquela situação que conhecemos do “depois e faço” passam sem ser tomadas e podem trazer um transtorno e até mesmo um perigo enorme a nós mesmos e aos demais moradores.

    Parabéns pelas dicas.

    • Rodrigo Mendes
      25/07/2017 at 11:38

      Pois é, Alaerte! Exatamente isso que você falou: muitas vezes são até medidas simples que não são feitas por descuido ou até mesmo preguiça. Acompanhe nossas atualizações semanais e compartilhe esse conteúdo com outras pessoas que possam se interessar pelo tema. Um abraço!

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